quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AS MÃES DO TERROR

“Um filho mal criado se torna um monstro quando cresce.”

Muito provavelmente você já ouviu essa frase ou outras bem parecidas com essa, né? E até um certo ponto, realmente essas frases procedem.
Claro que existe o indivíduo que foi criado maravilhosamente bem e se torna um mau-caráter quando cresce. Mas aí é a questão da índole, que já nasce com a pessoa. E isso não tem boa educação que resolva.
Mas se o indivíduo foi criado por uma pessoa desequilibrada ao longo da infância e da adolescência, é impossível que ele se torne um adulto equilibrado. Claro que ele não vai virar um bandido obrigatoriamente. Mas na melhor das hipóteses vai virar uma pessoa toda cheia de tiques, traumas, manias estranhas e tal.
Sabemos que o Cinema de Terror tem a tendência não de inventar situações, mas sim de pegar situações que já existem e aumentar, mostrando uma versão aterrorizante delas.
E um tema recorrente usado por vários filmes de terror é exatamente esse: o comportamento aberrante e/ou perverso de vários personagens de filmes de terror é um resultado de esses personagens terem sido criados por mães desequilibradas.
Vejamos os exemplos talvez mais graves...
O filme Sexta-Feira 13 (1980) apresentou ao Mundo a vilã Pamela Voorhees. E as informações que são dadas sobre ela nesse e nos filmes que continuaram esse, mostram que, com 16 anos, ela teve um filho aberrante chamado Jason.
Nenhum dos filmes mostra em que condições a Pamela teve o filho nem em que condições ela se relecionou com o pai da criança, chamado Elias Voorhees. Mas, como usava o sobrenome dele, claro que isso é uma evidência de que eles foram casados, embora nunca sejam mostrados juntos em nenhum filme.
Bom, aparentemente, a Pamela superprotegeu o Jason ao longo de toda a infância, não deixando que ele ficasse sozinho em momento nenhum. E quando foi trabalhar como cozinheira na Colônia de Férias de Crystal Lake, em 1957, deixou o garoto sendo vigiado por 2 zeladores enquanto ela trabalhava.
Mas num momento em que os 2 se afastaram pra transar, o Jason entrou no lago da colônia de férias e afundou ali, sumindo sem deixar vestígios...
Quase todos pensaram que ele tinha se afogado, embora o corpo nunca tivesse aparecido. Mas na verdade ele passou a viver escondido num barraco na Floresta de Crystal Lake, que rodeava todo o lago. E ele ficou ali tendo roupas e utensílios pra viver na floresta e sem chamar a atenção de ninguém de 1957 até 1984...
Estranho que alguém louco e completamente antissocial tenha conseguido viver assim por tanto tempo sozinho, né? Então, tudo demonstra que a mãe ajudou ele a viver nessas condições, provavelmente pra ‘proteger’ ele de novas tragédias.
Vamos lembrar que a Pamela foi decapitada em 1979 pela personagem Alice e o Jason se apropriou da cabeça decepada dela logo depois disso. E ainda matou a Alice pra se vingar logo depois disso, o que dá a entender que ele viu, de alguma forma, as condições em que ela foi morta. E em 1984, começou o ataque maciço dele contra todos os seres humanos que ele encontrasse pela frente.
Então, o que o Jason se tornou, em maior ou menor grau, foi um resultado de como ele foi criado pela mãe.
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Outra mãe superprotetora que causou o mesmo tipo de problema apareceu em Madrugada Alucinante (1981).
A personagem nunca tem o nome revelado durante o filme. Mas a história insinua que o ‘marido’ dela na verdade é o pai biológico dela, já que eles vivem sozinhos numa cabana no meio de uma floresta e 2 dos filhos que ela teve com ele são gêmeos que nasceram dementes e se comportam como crianças sádicas.
Os 2 garotos foram criados na floresta em questão e adquiriram o hábito de matar as pessoas que encontravam ali. E quando a irmã deles, chamada Merry Cat, pensa em denunciar à polícia o que tá acontecendo, a mãe tenta impedir, afirmando que o que importa é que eles são irmãos dela e é só nisso que ela tem que pensar.
Então, o que os gêmeos assassinos se tornaram foi um resultado de como eles foram criados pela mãe.
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A Ilha dos Cães (1982) nos apresenta a filha de um milionário, chamada Ida Parsons, que foi estuprada pelo ex namorado bêbado durante uma festa, em 1946. E segundos depois do estupro, os cães de estimação dela avançaram no cara e fizeram ele em pedaços, mas a Ida terminou de matar ele, quebrando-lhe o crânio com uma pedrada.
O filme não mostra o que aconteceu imediatamente depois disso. Mas deixa claro que o estupro resultou numa gravidez e, por algum motivo (supostamente uma tentativa de aborto mal sucedida), o filho nasceu deformado e com o cérebro afetado.
Profundamente traumatizada por toda aquela situação, a Ida passou a viver sozinha com o filho numa ilha de um dos Grandes Lagos do Canadá. E só saía de lá 2 vezes por ano pra comprar mantimentos, sendo que nessas ocasiões ela não olhava nos olhos de ninguém nem dizia nenhuma única palavra a ninguém, se limitando a comprar o que precisava e voltar pra ilha, onde acreditava que o filho tava ‘protegido’ do mundo exterior, guardado por uma grande matilha de cães de guarda que ela mantinha na ilha.
No início dos anos 80, ao ver que tava doente e morrendo, a Ida destruiu todos os barcos que tinha na ilha, pra ter certeza de que, depois que ela morresse, o filho não iria embora continuaria ‘protegido’ ali.
Conclusão: depois que ela morreu, o filho, pra sobreviver, teve que matar e comer todos os bichos da ilha (inclusive os cães de guarda) e depois avançou num grupo de náufragos que chegaram ali sem querer em 1982.
Nesse caso é questionável que existisse amor materno em questão, pois o filme dá a entender que a Ida sempre tratou o filho como pouco mais do que um dos cães dela. E nem deu um nome a ele: no roteiro ele é identificado apenas de Ida’s Son.
Então, o que o Ida’s Son se tornou foi um resultado de como ele foi criado pela mãe.
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Outro exemplo de FALTA DE amor materno que acabou em tragédia foi no Castelo Maldito (1995), que nos mostrou a Duquesa Gabriella d’Orsino, uma nobre decadente do interior da Itália que foi traída pelo marido e pela irmã em 1952: os 2 começaram a ter um caso e fugiram pros Estados Unidos.
Somando isso à situação de falência em que se encontrava, a duquesa enlouqueceu. E descontou no filho Giorgio, de 5 anos, todo o ódio que sentia do marido e da irmã: ela trancou o garoto no calabouço do castelo onde morava e manteve ele ali até 1995, submetendo ele a uma sessão de tortura todos os dias. Até que ele conseguiu fugir, completamente louco e deformado depois de tudo o que tinha passado, e levou o terror aos novos moradores do castelo...
Então, o que o Giorgio se tornou foi um resultado de como ele foi criado pela mãe.
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Já chegando no caso das aberrações mesmo, temos a Lenore Davis de Nasce Um Monstro (1974).
Ela pariu um monstruoso bebê mutante que saiu matando todo mundo que encontrou pela frente desde o instante do nascimento e ela tentou justificar dizendo que as pessoas assustaram o bebê dela e, só por isso, ele fez o que fez.
Depois, a Lenore escondeu o bebê no porão da casa, mesmo sabendo do perigo que ele representava pra todo mundo. E no final do filme, quando o bebê degola a dentadas um amigo da família na frente de todo mundo, ela vira pro outro filho dela e solta a pérola:

“Aquele é o seu irmãozinho. Ele só quer amar você.”

Então, basicamente tudo o que o bebê mutante fez foi um resultado de como a mãe tratou ele.
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Outra mãe que não chegou tão longe, mas também foi responsável por tragédias, foi a Julia de Contagem de Cadáveres (1987).
Em 1971, o filho dela, chamado Ben, encontrou ela se esfregando com o amante dela. E ela disse pra ele não contar nada ao pai, ou isso ia despertar o espírito de um xamã assassino.
Depois disso, o garoto viu alguém fantasiado de xamã matando um rapaz e uma moça, o que fez ele ficar traumatizado pro resto da vida e, 15 anos depois, assumir a personalidade do xamã...
Então, o que o Ben se tornou, em maior ou menor grau, foi um resultado de como a mãe dele se comportou.
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E em exemplos mais leves, vemos o traumatizado Willard, de Calafrio (1971): até os 27 anos, ele foi tão infantilizado pela mãe que ela chegava a fazer festinhas de aniversário pra ele convidando todas as velhas da família pra participarem.
Não é difícil entender por quê ele se tornou essa pessoa insegura e traumatizada que não conseguia fazer amizade com ninguém além dos ratos da casa dele, né?
Então, o que o Willard se tornou também foi um resultado de como ele foi criado pela mãe.
No remake A Vingança de Willard (2003) a mãe dele foi retratada só como uma velha louca. Então, aí ela não tem tanta importância assim na história.
Bom, clique aqui pra ver mais informações:


É isso. Até a próxima!

2 comentários:

Fernando Terroso disse...

Muito legal o post, só faltou a mãe de Norman Bates que na verdade era... melhor não, sem spoiler !

Filmelixo

Bússola do Terror disse...

Ah, claro.
Só não mencionei ela porque não falei aqui no blog sobre Psicose. Mas é outro exemplo, com certeza.